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Virada Cultural de BH celebra 10 anos com arte, diversidade e ocupação do espaço urbano

OLODUM - FOTO MAGALI MORAES
Evento reúne 300 atrações em mais de 24 horas de programação gratuita no hipercentro da capital mineira

Nos dias 23 e 24 de agosto, Belo Horizonte será palco da 10ª edição da Virada Cultural, um dos maiores festivais urbanos do Brasil. Em sua versão comemorativa, o evento ocupa o hipercentro com seis palcos e 17 espaços, reunindo cerca de 300 atrações entre música, teatro, dança, circo, cinema, literatura, artes visuais e manifestações populares. Mais de 3.500 profissionais da cultura estarão envolvidos, consolidando a Virada como símbolo de diversidade, cidadania e economia criativa.

Além da programação artística, o festival traz o Viradão Gastronômico, que mobiliza 25 bares e restaurantes da região, e ações voltadas para sustentabilidade, como coleta seletiva e compensação de carbono. Também integra campanhas de combate à violência contra a mulher, em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais.

Entre os destaques, estão shows de Israel & Rodolffo, Fat Family, Djonga, Olodum, Sidoka, Carlinhos Brown com a Orquestra Ouro Preto, além de blocos, grupos de samba, funk, hip-hop e performances urbanas. Para a secretária de Cultura Eliane Parreiras, a Virada reafirma o papel da arte na construção da identidade e no fortalecimento do diálogo social.

Com entrada gratuita, a Virada Cultural de BH 2025 promete mais de 24 horas ininterruptas de celebração coletiva, ressignificando o centro da cidade como espaço de encontro e pertencimento.

PALCO SESC PRAÇA DA ESTAÇÃO:

O Palco Sesc Praça da Estação, totalmente restaurado, será um dos epicentros da 10ª Virada Cultural de Belo Horizonte, reunindo estilos e gerações da música. A abertura, no sábado, traz Juliana Schiutz e o espetáculo inédito GINGA, de Samora N’zinga e Tamara Franklin, em homenagem à rainha angolana N’zinga Mbandi.

Na mesma noite, o público confere a potência vocal do Fat Family, a energia do Baile da Dri, além de clássicos sertanejos com Iago e Beto Willian. A dupla Israel & Rodolffo embala o palco com sucessos românticos e dançantes, enquanto o grupo Akatu recebe Djonga em um encontro inédito.

A cena urbana de BH também marca presença com Sidoka e a dupla MC Papo & Dedé Santaklaus, misturando funk, rap e reggaeton. O som percussivo do Olodum ganha a força de Ton Guimarães, e os DJs Dia e A Coisa completam a programação.

Parceiro do evento, o Sistema Fecomércio MG, por meio do Sesc em Minas, reforça seu compromisso com a democratização da cultura. O encerramento das 24 horas de shows será histórico: Carlinhos Brown se une à Orquestra Ouro Preto em Afrossinfonicidade, espetáculo que mistura ritmos afro-baianos e arranjos orquestrais, com patrocínio da AngloGold Ashanti Latam.

PRAÇA DA ESTAÇÃO:

A fanfarra Fantasia FM leva à Praça da Estação seu repertório repleto de sucessos dos anos 1970 a 2010. A Orquestra Popular Terno do Binga apresenta um encontro potente entre fanfarras de rua e grupos percussivos. Misturando ska, reggae e sopros, a Skanastra Brass Band traz ao público a atmosfera das ruas e praças. O grupo Las Cirkeras emociona com “Mulheres em Chamas”, o multiartista W Mota apresenta sua mistura única de ritmos afro-brasileiros. A programação conta, ainda, com atividades do SESC, como as projeções de Video Mapping – Corrocobó que acontecerão na fachada do Museu de Artes e Ofícios e outras atrações que levam ao espaço ações culturais e recreativas para todas as idades, completando a atmosfera de convivência.

PALCO GRAMADO PARQUE MUNICIPAL:

O Palco Gramado, no Parque Municipal, será um dos espaços mais diversos da Virada Cultural BH 2025. A abertura fica por conta de Leonel, seguido do rock autoral de Bê & os Sadmen. O violeiro Wilson Dias apresenta Ser(tão) Infinito, enquanto o samba chega com Baluartes do Samba e o cantor Pedro Morais, que mistura influências do Vale do Jequitinhonha e sonoridades contemporâneas.

O pop tropical aparece com Marcelo Tofani, e o “Rock de Preto” de Tiocapone traz rap, funk, samba e resistência. A Banda da Guarda Municipal reforça a ligação entre música e comunidade. O compositor Ton Guimarães mostra o show Filho de Xangô, enquanto Dudu do Cavaco e Banda apresentam o Samba da Inclusão, exaltando a acessibilidade.

A ancestralidade afro-brasileira ganha força com Mestre Thirey e Ilê Odara, enquanto Talita Silva traz R&B e hip-hop. O projeto Candomb’Jazz mistura samba e jazz em uma proposta afrofuturista. Já Augusta Barna explora novas texturas inspiradas nos anos 70, e Raissa Anastásia e Regional encerram com o choro.

ESPAÇO DOS TRENZINHOS PARQUE MUNICIPAL:

A cena autoral aparece com Isabela Morais, Fabi Gonçalves, Makely Ka e Denis Violão, que apresenta o Samba Gospel. O grupo Afrikaliente conecta Brasil e África, enquanto Evandro Passos celebra 40 anos dedicados à dança afro. O samba ganha força com Bruno Cupertino e o coletivo Samba d’Ouro, e o encerramento fica por conta do Coco da Gente.

Além dos shows, o espaço recebe o Sarau Todos Estão Surdos, com performances em Libras, música e poesia, e intervenções visuais: um mural inédito de Raquel Bolinho em homenagem aos 10 anos da Virada e uma oficina de grafitti para crianças com a artista Mona.

PALCO CHICO NUNES BH + FELIZ:

O Palco Chico Nunes BH + Feliz, no Parque Municipal, recebe Loubback, cantor e compositor mineiro que transita pelo indie rock com letras reflexivas e arranjos elaborados, e Ângelo Andrade, multiartista que une artes plásticas e música em interpretações do cancioneiro brasileiro e composições próprias. O projeto Fragaí apresenta oito nomes da cena autoral de BH lara Bicho & Gabriel Campos, Dani Moreira, Luanda, Dereco, Julia Deodora, Nó, Fernando Motta e Rafa Bicalho em shows minimalistas e inventivos. As culturas populares ganham atenção especial na parceria com o Festejo do Tambor Mineiro reunindo 15 guardas de congado, irmandades do Rosário e grupos percussivos. Idealizado pelo multiartista e capitão de congado Maurício Tizumba, o festejo acontece desde 2002 e já se consolidou como um dos eventos mais importantes de valorização das tradições de matriz africana em Minas Gerais. Tizumba recebe como convidada especial a cantora baiana Virgínia Rodrigues e a programação também inclui Sérgio Pererê, Beth Leivas, Dé Lucas, Bruno Messias, o Bloco Oficina Tambolelê e o Bloco dos Inconfidentes (RJ). Haverá, ainda, a primeira cerimônia de entrega do Certificado de Registro dos Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo IPHAN, com a presença da Ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo. O Festejo do Tambor Mineiro é uma programação parceira da Virada Cultural, realizada pela Associação Cultural Tambor Mineiro, com produção da Napele Produções Artísticas e patrocínio do Instituto Unimed-BH, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB-MG).

ESPAÇO LAGOA PARQUE MUNICIPAL:

O espaço cultural da Virada BH 2025 terá cinema, teatro e performances interativas que convidam à reflexão e à celebração da diversidade. A programação começa com o curta Plantas que curam – Saberes das crianças de Cláudio Manoel (MG), dirigido por Ana Paula da Silva Pena, seguido pelo documentário Vozes da Ginga e roda de capoeira aberta ao público.

A Mostra CineCidade transforma o local em um cinema ao ar livre, com filmes brasileiros, pipoca gratuita e cenografia especial. O espaço também recebe o Piquenique Literário, o espetáculo infantil A Lenda de Ananse e a performance provocativa Mulher Cuecas, de Tina Dias.

As intervenções artísticas incluem Casamentos Urbanos, denúncia poética contra a violência de gênero, e o espetáculo bilíngue Corpo Preto Surdo: Nós Estamos Aqui!, da Cia BH em Libras. No teatro, Emerson Carvalho encena O Caso da Vara, de Machado de Assis, e a Companhia Rádio TamoJunto fecha a noite com Dona Nadi apresenta: A vida sendo a vida, sobre resiliência e saúde mental.

ESPAÇO FICUS PARQUE MUNICIPAL:

O Espaço Ficus do Parque Municipal será palco de uma programação plural durante a Virada Cultural de BH 2025, reunindo literatura, dança, oficinas, performances e exposições. A agenda inclui a Oficina de Maquiagem de Efeitos Especiais para o Cinema, com Maria Letícia, e a imersão Raízes de Guiné, do Coletivo Minhas Plantas Meu Quintal, que conecta saberes africanos, fé e ervas medicinais.

A escritora Patty Martinez lança o livro Eu, apesar em roda de leitura performática, enquanto a mostra Ervas, Afetos e Silêncios expõe trabalhos de crianças e adolescentes de Venda Nova. A programação literária se amplia com oficinas, poesias e leituras coletivas, incluindo o Varal de Poesias – Rodopio e a atuação do grupo Mulheres&Partilha, que valoriza escritoras negras e indígenas.

Entre os destaques visuais e performáticos estão a exposição Os cara velhos tira, que revisita a cena punk e metal de BH em tirinhas, a instalação Entre Ramos e Retornos, de Dayane Silvéria, e a performance circense O Fardo Nosso de Cada Dia, de Philippe Ribeiro. O público ainda poderá conhecer o teatro Lambe Lambe com o Coletivo Em Caixa e participar da oficina literária Uma Rosa de Conversa, inspirada em Grande Sertão: Veredas.

O encerramento fica por conta do duo nÓ dE nÓs, que leva a dança contemporânea às ruas, transformando o cotidiano em movimento poético.

PALCO VIADUTO XEQUE MATE:

O espaço reúne a força da música urbana, do funk ao rap, do hip-hop à performance cênica, refletindo a pluralidade e a potência criativa das periferias. O Chega Aí – Incubadora de Funk abre espaço para talentos emergentes do gênero, enquanto o Baile do Serrão nas Quebradas, mantém viva a tradição do funk na Serra. Entre os sets, o residente DJ Shigara esquenta o público com intervenções rápidas e dançantes. MC Mika e DJ Bell Bertinelli apresentam um show repleto de energia, e Mac Júlia traz seu estilo único à pista. MC Saci acrescenta irreverência e crítica social em suas rimas, enquanto DJ Cost e DJ Andersson do Paraíso conectam a pista com batidas marcantes. Também da cena periférica, Vinijoe apresenta seu “rap samba”, unindo lirismo, crítica social e ritmos afro-brasileiros.

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