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Superman: O herói que nunca sai de cena

Superman capa
James Gunn resgata o otimismo perdido do Superman em um novo voo cinematográfico que promete devolver ao herói o brilho e a trilha sonora que ele merece

Para mim, ir ao cinema ainda é um pequeno ritual sagrado. É me permitir desligar o celular (ou pelo menos tentar desligar), me acomodar na poltrona, sentir o cheiro de pipoca amanteigada e esperar pelo escuro que antecede o brilho na tela. Sou daqueles que adora ver os trailers (e não aquela bobagem com influencers e trívias que agora está na moda), porque, afinal, trailers são a promessa de novos bons momentos dentro de um cinema. Ver um filme em uma (boa) sala de cinema é participar de um espetáculo visual coletivo uma catarse em grupo onde todo mundo ri, se assusta, se emociona e vibra junto algo que nenhuma TV gigantesca em uma sala de estar consegue reproduzir do mesmo jeito. Mas, claro, todo esse conjunto só funciona quando o filme é, no mínimo, muito bom. É justamente o caso de “Superman – O Filme”, de 1978. O longa é o marco zero dos blockbusters de heróis como conhecemos hoje e se tornou o primeiro blockbuster de super-heróis.

A promessa do filme dirigido pelo cineasta Richard Donner era “simples”: “Você vai acreditar que um homem pode voar” e, com incríveis efeitos especiais que resistem até hoje, o público acreditou. Com orçamento ousado para época (US$ 55 milhões), grandes astros como Marlon Brando e Gene Hackman e a icônica trilha de John Williams, o filme faturou mais de US$ 300 milhões no mundo todo, provando que quadrinhos não eram só coisa de criança eram ouro puro de bilheteria. No centro de tudo estava Christopher Reeve, que não interpretou o Superman ele era o Superman. Com um carisma absurdo e a capacidade de fazer Clark Kent e o Homem de Aço parecerem duas pessoas completamente diferentes (sem precisar de inteligência artificial), Reeve virou referência eterna do personagem. Sua performance inspirou gerações de fãs e atores, e até hoje é difícil alguém vestir o uniforme sem ser comparado a ele. Gosto de dizer que aquele Superman fez eu tomar gosto por cinema. Sim, pode fazer as contas: eu assisti Superman na estreia (no saudoso Cine Jacques, no centro de BH) e ainda considero um dos filmes de super-heróis mais perfeitos já feitos. O Superman, como personagem, nasceu para fazer parte deste espetáculo. A sala escura amplifica tudo: os sentidos disparam, a emoção transborda. É o melhor exemplo de “filme que precisa ser visto na tela grande” não só por causa do tamanho, mas pela intensidade sensorial e coletiva que só o cinema oferece. Por isso mesmo, a volta do personagem aos cinemas tem tudo a ver com aquele meme “Expectativa X Realidade”.

O novo Superman, que estreia em hoje (10), tem gerado um burburinho que mistura euforia com aquele pé atrás que todo fã do herói de Krypton conhece. A favor da produção está todo o crédito que o diretor James Gunn tem com quem ama os quadrinhos. Antes de assumir o leme do (renovado) estúdio da DC, Gunn deixou sua marca na Marvel como o cérebro por trás da franquia “Guardiões da Galáxia”, misturando space opera, humor debochado e muito coração em três filmes que revitalizaram personagens que nem todo mundo conhecia. Com seu estilo irreverente e trilhas sonoras nostálgicas, ele transformou um guaxinim falante e uma árvore monocórdica em ícones pop planetários. Gunn, agora chefão da DC, cuida do maior ícone dos quadrinhos com a promessa de unir o tom otimista dos gibis clássicos com uma pegada moderna e emocional. A missão? Tirar do Superman aquela aura sombria e o pretenso realismo que marcou as últimas aparições do herói.

E o que esperar do novo filme do Superman? Os primeiros trailers mostram que James Gunn está apostando num herói com coração, que vive os dilemas em um mundo conturbado e a desconfiança dos humanos. Clark Kent continua o bom moço otimista e gentil, mas vive uma crise de identidade dividido entre o alienígena de Krypton e o fazendeiro de Smallville. Personagens secundários como Metamorfo, Hawkgirl e Guy Gardner indicam que o filme é tanto um reboot do Superman quanto o pontapé inicial de um novo universo compartilhado da DC. O gênio do crime Lex Luthor também está de volta e vamos ver, pela primeira vez nos cinemas, o cão Krypto, que já aparece cheio de energia no trailer, salvando o Homem de Aço.

A expectativa é alta: quando a trilha de John Williams explodir nos tímpanos, a imagem do “S” estampado no peito surgir novamente na tela e a sala inteira prender a respiração, saberemos se valeu a pena esperar. Afinal, o cinema é uma experiência e o Superman, quando tratado com respeito e imaginação, tem tudo para ser um espetáculo inesquecível.

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