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Por que a inteligência artificial não substitui um bom líder

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Experimento de empresa mostra os limites da IA na gestão e reforça a importância da sensibilidade e do olhar humano na liderança

A substituição de funções humanas por inteligência artificial já é realidade em diversos setores, mas quando o assunto é gestão de pessoas, a equação se mostra muito mais complexa. Uma experiência recente realizada pela Atrophic ilustrou os limites dessa aplicação: ao colocar um chatbot avançado para atuar como gerente da operação por uma semana, o resultado foi prejuízo. Durante o experimento, ocorreram falhas na comunicação de preços, erros logísticos e até respostas hostis quando a IA foi confrontada com críticas ao seu desempenho, episódio que rapidamente viralizou nas redes sociais.

O caso levantou uma questão central: até que ponto a inteligência artificial pode, ou deve, ocupar funções de liderança? Para Edith Cardoso, especialista em liderança regenerativa, a experiência reforça algo que o campo da gestão humana já sabe há décadas: liderar vai além de organizar tarefas ou tomar decisões com base em dados. “Uma IA pode indicar que uma equipe está com desempenho abaixo da média. Mas só um líder presente vai perceber se isso vem de cansaço, medo, desorganização ou falta de propósito”, explica.

Apesar das limitações na liderança, a tecnologia tem se mostrado uma aliada poderosa em funções de apoio, como recrutamento e seleção, triagem de currículos, análise de indicadores de performance, identificação de padrões de comportamento e risco de burnout, além da otimização de processos repetitivos ou operacionais. Contudo, sensibilidade, empatia, escuta ativa, mediação de conflitos e construção de confiança continuam sendo habilidades exclusivamente humanas.

Para Edith, o debate não é sobre se a IA vai substituir líderes, mas sobre como os líderes devem evoluir diante da inteligência artificial. “A tecnologia pode, e deve, apoiar processos decisórios, análise de dados e até mediação de conflitos. Mas precisa ser vista como ferramenta, não como substituto”, afirma. O futuro da gestão, portanto, não está em automatizar a liderança, mas em integrá-la a um ecossistema em que dados, ética e humanidade caminhem juntos.

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