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CCBB BH abre o Mês da Mulher com a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”

Entre nós- fotografia Larissa Micenas
Mostra gratuita reúne obras em bordado, crochê e escultura que transformam práticas têxteis em reflexão sobre o corpo feminino, memória e resistência, com visitação de 4 de março a 1º de junho.

O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) abre a programação do Mês da Mulher com a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”, que estará em cartaz de 4 de março a 1º de junho, nas galerias do térreo do espaço cultural. A mostra apresenta 13 obras da artista maranhense Marlene Barros, reunindo esculturas, bordados e peças em crochê que transformam o gesto do costurar em manifestação política, poética e social.

Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição propõe uma reflexão sobre a invisibilização histórica das mulheres no campo da arte e ressignifica técnicas tradicionalmente associadas ao universo doméstico. Agulha e linha tornam-se instrumentos de denúncia simbólica, trazendo à tona memórias, afetos e narrativas femininas que resistem ao apagamento histórico.

A proposta nasce de uma pesquisa desenvolvida pela artista durante seu mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal. A partir da ideia de “remendar fissuras do tempo”, a casa — elemento recorrente na obra — surge como metáfora do corpo feminino e de suas experiências, abordando temas como maternidade, identidade, violência, sexualidade e construção social da feminilidade.

Entre os destaques da mostra estão obras como “Eu tenho a tua cara”, instalação composta por 49 rostos femininos costurados que questionam identidade e alteridade; “Caixa Preta”, um autorretrato expandido feito a partir de memórias e registros afetivos; e “Quem pariu, que embale”, trabalho que problematiza a responsabilização quase exclusiva das mulheres pelo cuidado dos filhos.

Ao reunir trabalhos desenvolvidos ao longo de mais de quatro décadas de trajetória artística, Marlene Barros também discute a histórica coisificação do corpo feminino e os padrões estéticos impostos socialmente. A artista utiliza a tecelagem como linguagem crítica, ampliando o entendimento do fazer manual para além do artesanato, posicionando-o como expressão estética e política legítima dentro do circuito institucional de arte.

Além da exposição, o público poderá participar de ações formativas abertas, como visita mediada com artista e curadora, palestra temática no Dia Internacional da Mulher e a oficina “Arpilleras de si”, que propõe o bordado livre como ferramenta de expressão e elaboração de memórias pessoais. As atividades oferecem certificado e incentivam a participação de pessoas de todos os gêneros e faixas etárias.

Integrante do Circuito Liberdade, o CCBB BH reforça, com a mostra, seu compromisso com a democratização do acesso à arte e com o fortalecimento da produção cultural contemporânea, promovendo experiências que estimulam reflexão, escuta e transformação social por meio da arte.

Serviço
Exposição: Marlene Barros: tecitura do feminino
Data: 4 de março a 1º de junho
Local: Galerias do térreo – CCBB BH
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários – Belo Horizonte/MG
Funcionamento: quarta a segunda, das 10h às 22h
Ingressos: gratuitos, retirados no site ou na bilheteria do CCBB BH
Informações: (31) 3431-9400 | ccbb.com.br/bh

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