Tem clássico que vale três pontos. Tem clássico que vale taça. E tem clássico que, quando aparece em um mata-mata, parece carregar consigo tudo o que já aconteceu antes.
Cruzeiro e Atlético estão novamente frente a frente na Copa do Brasil.
O sorteio realizado nesta terça-feira colocou os dois maiores rivais de Minas Gerais nas quartas de final da competição. O primeiro encontro será no Mineirão, no dia 26 de agosto. A decisão da vaga acontece em 2 de setembro, na Arena MRV.
Mas, para quem acompanha essa rivalidade há algum tempo, é impossível olhar para esse confronto apenas como mais um sorteio.
A Copa do Brasil criou uma história particular entre Cruzeiro e Atlético.
E essa história começou a ganhar um capítulo especial em 2014.
Naquele ano, os dois clubes decidiram pela primeira vez um título nacional. Não era apenas uma final. Era o primeiro confronto entre Cruzeiro e Atlético valendo uma taça nacional.
O Atlético venceu os dois jogos: 2 a 0 no Independência e 1 a 0 no Mineirão. Conquistou o título e escreveu uma das páginas mais marcantes da história recente do clássico.
Para o torcedor do Cruzeiro, aquela final ficou como uma ferida.
Para o torcedor do Atlético, virou memória de uma conquista histórica.
Só que o futebol, principalmente o futebol de mata-mata, tem uma mania curiosa: ele sempre encontra uma maneira de colocar os rivais novamente frente a frente.
Cinco anos depois, em 2019, veio a revanche.
Novamente pelas quartas de final da Copa do Brasil, Cruzeiro e Atlético se enfrentaram em dois jogos. A Raposa venceu por 3 a 0 no primeiro duelo, perdeu por 2 a 0 no segundo, mas avançou com 3 a 2 no placar agregado.
A história começava a mudar de lado.
Em 2025, o destino tratou de repetir a dose.
Mais uma vez, quartas de final. Mais uma vez, Cruzeiro e Atlético.
E dessa vez o Cruzeiro não deixou espaço para discussão: venceu os dois jogos por 2 a 0 e eliminou o rival com 4 a 0 no agregado.
Agora, em 2026, os dois voltam a se encontrar.
É o quarto confronto entre eles na história da Copa do Brasil.
E existe uma curiosidade que torna tudo ainda mais interessante: em 2014, o Atlético ficou com a taça; em 2019 e 2025, o Cruzeiro levou a melhor nos confrontos eliminatórios.
Ou seja: quando se fala especificamente em Copa do Brasil, o clássico já construiu uma espécie de pequena série própria.
Mas essa rivalidade não nasceu na Copa do Brasil.
Cruzeiro e Atlético já se enfrentaram em outros mata-matas nacionais ao longo da história. Em 1986, o Atlético eliminou o Cruzeiro nas quartas de final do Campeonato Brasileiro. Em 1999, voltou a levar a melhor, novamente nas quartas. Também houve encontros eliminatórios pela Copa de Ouro e pela Copa Sul-Minas.
É por isso que um sorteio como o desta terça-feira provoca uma sensação diferente.
Não é simplesmente “Cruzeiro contra Atlético”.
É passado contra presente. É memória contra memória. É provocação contra provocação.
E, desta vez, existe uma particularidade: o Cruzeiro terá a oportunidade de começar o confronto dentro de casa e decidir a classificação na Arena MRV.
Isso muda a estratégia, muda a atmosfera e aumenta ainda mais a expectativa.
Mas existe algo que, para mim, não muda.
Em clássico, não adianta olhar apenas para tabela, momento, retrospecto ou favoritismo.
Clássico é um jogo à parte.
E quando esse clássico vale uma vaga na semifinal da Copa do Brasil, ele deixa de ser apenas um clássico.
Vira decisão.
O torcedor do Cruzeiro ainda carrega na memória a final de 2014. Também lembra da resposta em 2019. E certamente não esqueceu o que aconteceu em 2025.
O torcedor do Atlético também tem suas memórias, suas provocações e seus capítulos para defender.
É justamente isso que torna esse confronto tão especial.
A Copa do Brasil colocou Cruzeiro e Atlético novamente no mesmo caminho.
E, quando a bola rolar no Mineirão, não estarão em campo apenas 22 jogadores disputando uma vaga.
Estará em jogo mais um capítulo de uma história que o futebol mineiro insiste em escrever.
Jornalista, comentarista e assessor @valdemarjunioroficial











