O gastroenterologista Mauro Lúcio Jácome irá apresentar, no dia 5 de abril, resultados inéditos sobre uma nova abordagem no uso do balão intragástrico ajustável durante a Digestive Disease Week, em Chicago.
Natural de Caeté, o médico atua há mais de duas décadas com estudos e aplicação de balões intragástricos no tratamento da obesidade. Seu estudo propõe uma estratégia diferenciada para o uso do dispositivo, com foco na redução de efeitos adversos e melhora da adesão ao tratamento.
Tradicionalmente, o balão é implantado com volumes elevados de líquido, variando entre 600 ml e 750 ml, o que pode potencializar a perda de peso, mas também está associado a maior risco de complicações, como intolerância, úlceras e migração do dispositivo. A proposta do novo protocolo consiste em iniciar o tratamento com volume reduzido, em torno de 350 ml, seguido de ajustes progressivos ao longo do acompanhamento clínico, até atingir o volume ideal.
De acordo com o especialista, o estudo observacional retrospectivo avaliou 323 pacientes, dos quais 63 completaram o protocolo. A maioria dos participantes era composta por mulheres, com média de idade de 40 anos. Após 12 meses, os resultados indicaram redução significativa do peso corporal e do índice de massa corporal, com perda média de 18% do peso total e 66,3% do excesso de peso.
Os dados também apontaram que volumes finais mais elevados do balão estiveram associados a uma leve redução na perda percentual de peso, enquanto fatores como idade, sexo e IMC inicial não apresentaram impacto relevante nos desfechos clínicos.
A estratégia demonstrou boa tolerabilidade, baixa taxa de complicações e apenas um caso de retirada precoce por intolerância, sugerindo que o protocolo pode representar uma alternativa segura e eficaz aos métodos tradicionais descritos na literatura médica.
“Levar esse trabalho para um congresso internacional é motivo de orgulho. É uma oportunidade de mostrar a seriedade da medicina brasileira e compartilhar uma construção científica que exigiu anos de dedicação”, afirma Mauro Lúcio Jácome.
O estudo reforça a importância de abordagens individualizadas no manejo da obesidade, ampliando as possibilidades terapêuticas e contribuindo para melhores resultados clínicos e qualidade de vida dos pacientes.











