Belo Horizonte recebe a 30ª edição da CASACOR Minas, com o tema “Semear Sonhos”. A mostra acontece na sede da PUC Lourdes, um edifício histórico projetado pelo arquiteto Raffaello Berti, e apresenta 49 ambientes assinados por 74 profissionais entre arquitetos, designers e paisagistas.
O público poderá explorar projetos que unem funcionalidade, arte e sofisticação, além de experiências sensoriais, intervenções artísticas e gastronomia autoral. Entre os destaques, estão o restaurante MINÉRA, com cozinha mineira criativa assinada por Agnes Farkasvölgyi, e o espaço sensorial da Cria Cafés, pensado para despertar todos os sentidos.
A CASACOR Minas 2025 celebra não apenas a arquitetura e o design, mas também a história e a memória de Minas Gerais, convidando os visitantes a refletir sobre o futuro das cidades e o conceito de lar.
O Circuito
A nova edição da CASACOR Minas surpreende já na chegada. A iluminação da fachada, assinada pela Atiaîa Lighting Design, prepara o olhar do visitante para o percurso que se desdobra em experiências visuais e sensoriais. Logo na entrada, a instalação Rizoma, de André Gibram e Antônio Grillo, construída a partir de vergalhões de aço, dá as boas-vindas com imponência. No jardim, o paisagista Wanderlan Pitangui resgata espécies botânicas utilizadas no século XX, dialogando com a história do edifício-sede.
A viagem pelo tempo se materializa também na Galeria 30 anos, de Alexandre Rousset, que revisita as três décadas da mostra por meio de ilustrações dos prédios que já abrigaram a CASACOR. A experiência ganha acolhimento na Bilheteria Prelúdio, criada por Carolina Galantine e Letícia Lopes, pensada como um espaço que vai além do funcional. Já no Living do Colecionador, Joana Hardy aposta na atemporalidade de peças e conceitos autorais.
Entre os destaques, a arquiteta Ana Bahia celebra os 80 anos da Líder Interiores com a Sala Brasileira, mistura de sofisticação, intimismo e ousadia. Na Galeria e Cozinha QuintoAndar, Paulo Campos e Sarah Floresta (Balsa Arquitetura) oferecem um corredor cromático com programação artística, seguido de uma cozinha que recria memórias afetivas do lar. A Sala de Banho Veios da Terra, de Josy Chaves, evoca bem-estar e conexão com a natureza.
O gosto pela confraternização aparece na Confraria, de Beth Nejm, marcada por um painel do Studio K2 que desconstrói digitalmente a pintura Feira de Camponeses (1570), de Peeter Baltens. A arquiteta Camila Medrado propõe, na Sala: Tempo para Decantar, uma pausa inspirada pela neuroarquitetura. Em linha semelhante, Maycon Altera apresenta o Silêncio Fértil, ambiente de trabalho que privilegia inspiração e acolhimento. O Living Mineiridade, de Flávia Roscoe, une design e tradição, com obras da artista Maria Lira Marques, do Vale do Jequitinhonha, em diálogo com criações contemporâneas.
A mostra reserva ainda surpresas conceituais, como a Sala dos Espelhos, de Mariana Queiroz e Patricia Naves (Esc Arquitetura), com forte caráter instalativo, e a Sala Elos, de Gislene Lopes, onde o teto se transforma em um abraço revestido por papel de parede autoral. Na Suíte Hotel Ouro do Cerrado, Sérgio Viana conecta a história de Minas à arquitetura contemporânea sem recorrer à ostentação.
As pausas gastronômicas e sensoriais também fazem parte do percurso. No Cria Café e Banheiro do Café, de Marcela Castro (MCA Arquitetura), o visitante encontra uma estética futurista e um banheiro inspirado nas formas do Antelope Canyon, nos EUA. Já Bruna de Sá e Chico Casarões buscam inspiração na Serra do Curral para criar Curvas do Interior, Texturas do Tempo, um tributo ao mármore mineiro.
No Closet Dell Anno, de Cris Capanema, a marcenaria de alto padrão se mistura à delicadeza da arte. Pedro Lázaro cria, na Sala de Jantar, uma síntese entre conteúdo cultural e design. O Quarto das Quatro, de Djalma Ugoline, celebra os vínculos familiares, enquanto o Banho Violeta, de Luisa Mano, questiona padrões de beleza e concilia passado e presente.
O Living Raízes, de Manuela Senna, combina tons terrosos em um ambiente-bar de atmosfera serena. Já Francisco Morais (Framo Arquitetura) apresenta Encontro e Alento, um espaço de respiro e acolhimento. No Gabinete, Fernanda Da Pieve e Rafaele Drumond (Em Cena Arquitetura) exploram o equilíbrio entre alta performance e bem-estar.
Com forte caráter experiencial, a Perfumaria Maison Deboá, de Larissa Mendes, transforma o ato de compra em vivência sensorial. Já a Casa Boa Vista Deca, de Cris e Linda Martins (Maraú Design Studio), é um refúgio contemporâneo que evoca as fazendas mineiras. O Piano Bar, de Gláucia Britto, aposta na música e nos encontros, enquanto o Loft Essência, de Graziella Nicolai, retrata um abrigo para uma mulher independente. No Origem Minas, Cynthia Silva celebra a mineiridade com produtos regionais em parceria com o Sebrae.
Outros espaços rompem com a neutralidade tradicional, como o Quarto de Estar, de Dunia Zaidan, e o Espaço Singular, de Ana Paula Paolinelli. A integração entre memória e atualidade aparece no Hall Entretempos, de Janaina Araújo, e no Niê Giardino, de Izabella Stambassi, dedicado ao frescor do jardim. Ariel Teixeira apresenta o Jardim Elo, enquanto Cris Zumpano propõe no Quintal dos Sonhos uma reflexão sobre sustentabilidade.
A relação com a natureza também é retomada em projetos como o Jardim (IN)SPIRA, de Kat Rosa, e o Jardim das Taquaras, de Felipe Fontes. No Quintal de Dentro, André Rocha e Tiago Rossi destacam espécies frutíferas, enquanto o Niê Tokyo, de Mario Caetano e Marina Lipiani, explora referências modernistas em uma ocupação disruptiva.
A experiência gastronômica e social retorna na Varanda Encontro, de Bruna Raid, e no Restaurante Minéra, de Rafaela e Silvana Mertens (Arca Arquitetos), que homenageia a riqueza mineral e gastronômica mineira. O circuito se encerra com o Jardim: Raízes do Tempo, da Dr. do Mato Soluções em Paisagismo, e o ambiente Terra que Reflete, de Mariana Borges, que exala brasilidade em cores e materiais.
Gastronomia em destaque
A 30ª edição da CASACOR Minas celebra não apenas arquitetura, design e arte, mas também a gastronomia, com a participação de chefs e marcas que são referência no estado. A experiência sensorial ganha força na mesa, confirmando a vocação da mostra de integrar diferentes linguagens criativas.
O restaurante oficial do evento volta a ter a assinatura da chef Agnes Farkasvölgyi, figura essencial da cena gastronômica mineira. Com oito participações na CASACOR seis restaurantes e dois cafés, Agnes apresenta agora o MINÉRA, um espaço que traduz a cozinha mineira em versão autoral e contemporânea. A proposta não recorre ao folclore nem a soluções fáceis: a tradição serve de ponto de partida para novas criações, marcadas pela leveza, acidez e rigor técnico.
Entre os pratos, destacam-se o Stinco em Cocote, carne de porco cozida lentamente em panela selada com massa de pizza; o Filé, Cana e Café, servido com molho de cachaça reduzida e café; e o Tortelli de queijo adocicado com dashi de cebola queimada e tomilho, receita que sintetiza o espírito do restaurante revisitar heranças para criar o novo.
As sobremesas ficam a cargo de Sá Marina, convidada especial de Agnes. Com o menu As Belas-Artes de Minas em 5 sobremesas, Marina transforma doces em esculturas que unem narrativa, sabor e homenagem à arte mineira. Cada criação corresponde a uma expressão artística e a um artista do estado, como Avoa, inspirada em Milton Nascimento, e Tropeço, evocando Carlos Drummond de Andrade. “Em Minas, aprendi que o açúcar também pode ser barro, ouro ou oração”, resume a confeiteira.
O restaurante, instalado no térreo da Capela Verda Farrar projeto modernista de Sylvio de Vasconcelos adaptado pela Arca Arquitetura , reforça essa busca pela identidade mineira. O espaço preserva as linhas originais do edifício e utiliza tons terrosos, vegetação nativa e texturas naturais, em reverência ao território.
Outro marco desta edição é a entrada oficial do Terraço Niê no circuito gastronômico da CASACOR. O restaurante participa com dois ambientes distintos: o Niê Tóquio, bar assinado por Mário Caetano, e o Niê Giardino, café criado por Izabella Stambassi.
No Niê Tóquio, o cardápio de inspiração asiática contemporânea tem assinatura do chef Victor Zuliani, responsável também pela cozinha da casa original. Pratos como gyoza de cupim com glacê oriental, tartar de wagyu com gema curada e chips de lótus, tacos de nori e sobremesas como torta de matcha com chocolate branco demonstram a fusão entre técnica e ousadia. Já no Niê Giardino, o foco é a memória afetiva e a simplicidade dos preparos artesanais, sob curadoria de Débora Ignachiti, sócia da Bagueteria Francesa. O cardápio inclui broa de fubá com mexerica, pão de queijo com geleia, toasts vegetarianos e rabanadas de brioche com creme de laranja, em sintonia com o ambiente que convida a desacelerar.
“CASACOR e Niê formam um casamento natural”, afirma Pedro Lobo, sócio do restaurante. Para ele, a participação reafirma a vocação da marca em homenagear a arquitetura, desde sua origem no 25º andar do primeiro arranha-céu assinado por Oscar Niemeyer em Belo Horizonte.
A experiência gastronômica se completa com a presença da Cria Cafés, que traz sua essência criativa em um espaço projetado por Marcela Alves (MCA Arquitetura). O ambiente foi pensado como ponto de encontro e pausa, com teto espelhado, aroma constante de café fresco, pinturas feitas com o próprio café e música selecionada para envolver os visitantes em todos os sentidos.
O cardápio, assinado pela chef Giovanna Giannetti, privilegia agilidade, sabor e estética, mantendo a identidade da marca. Entre as criações, estão drinks com café, bolo de tangerina com calda cítrica, bolo de milho com goiabada e pudim de café Cria. A participação marca ainda o lançamento de um novo perfil de café especial, desenvolvido exclusivamente para a mostra.
Com esses nomes, a CASACOR Minas 2025 reforça a gastronomia como parte essencial de sua narrativa. Mais do que alimentar, os espaços culinários funcionam como territórios de experimentação, encontro e memória, em diálogo com a arquitetura e o design que compõem o evento.
Arte
Na edição comemorativa de 30 anos, a CASACOR Minas reforça sua vocação de ser um espaço plural e de diálogo entre diferentes linguagens criativas. Além das obras, instalações e intervenções que integram os ambientes da mostra, a arte ganha um espaço exclusivo: a Galeria QuintoAndar, com projeto da Balsa Arquitetura.
A proposta é dinâmica: ao longo do evento, a galeria recebe exposições temporárias que se renovam semanalmente, oferecendo ao visitante múltiplas experiências imersivas no universo das artes visuais. Cada mostra tem uma curadoria distinta, o que transforma o espaço em um palco vivo, em constante mutação.
A programação tem início entre os dias 15 e 25 de agosto, com curadoria da AM Galeria. O fotógrafo Jomar Bragança, referência nacional em fotografia de arquitetura, abre a temporada com um recorte de sua produção. Arquiteto por formação, Jomar é reconhecido tanto pela precisão técnica de seu olhar arquitetônico quanto por sua vertente autoral, marcada pela sensibilidade. Sua mostra apresenta imagens que transitam entre a documentação e a poesia visual, revelando o vasto repertório de sua trajetória.
Na sequência, de 25 de agosto a 1º de setembro, a galeria recebe a exposição da fotógrafa Luciana Rennó. Com uma carreira marcada pela busca do inesperado na paisagem natural, Luciana registra florestas, montanhas e praias com um olhar que capta texturas, vibrações e cores quase ocultas ao olhar comum. Sua fotografia traduz uma conexão visceral com a natureza, revelando detalhes que, ao mesmo tempo, pertencem ao real e ao sensível.
Entre os dias 1º e 8 de setembro, é a vez das obras de Renato Morcatti ocuparem o espaço, em curadoria assinada pela Lemos de Sá Galeria. O trabalho de Morcatti investiga a memória e o espaço doméstico como territórios de reflexão. Seus desenhos e esculturas partem de arquivos pessoais fotos, móveis, vídeos e objetos para revisitar a CASA como conceito e como experiência social. Ao misturar passado e presente, o artista recria representações e ativa lembranças, provocando o público a refletir sobre o que nos habita tanto quanto habitamos.
As próximas exposições da Galeria QuintoAndar serão anunciadas ao longo da mostra, reforçando a expectativa de um calendário vivo e pulsante.
Assim, a CASACOR Minas 2025 reafirma seu papel não apenas como vitrine de arquitetura e design, mas também como espaço de experimentação artística, em que a cada semana novos olhares transformam a percepção do visitante.
Sobre a CASACOR Minas
Empresa do Grupo Abril, a CASACOR é reconhecida como a mais completa mostra de arquitetura, paisagismo, arte e design de interiores das Américas. O evento reúne, anualmente, renomados arquitetos, designers de interiores e paisagistas e em 2025 chega à sua 30ª edição em Minas Gerais, com 17 praças nacionais (São Paulo, Bahia, Brasília, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Ribeirão Preto e Tocantins), e mais quatro internacionais (Miami, Bolívia, Paraguai e Peru).
SITE: www.casacor.abril.com.br
FACEBOOK: www.facebook.com/casacorminas
INSTAGRAM: @casacorminas
Serviço
30ª CASACOR Minas Gerais
Horário de funcionamento:
Terça a sexta-feira: Bilheteria: 14h às 21h | Visitação: 14h às 22h
Sábados: Bilheteria: 12h às 21h | Visitação: 12h às 22h
Domingos: Bilheteria: 12h às 19h | Visitação: 12h às 20h
Nos feriados a CASACOR não altera o horário de funcionamento.
Ingressos:
Inteira – R$ 90 de terça a sexta / R$ 100 sábado e domingo
Meia Entrada: R$ 45 de terça a sexta / R$ 50 sábado e domingo
Válida para Idoso/Estudante/Professor/PCD/Id Jovem – Mediante apresentação de documento comprobatório
Passaporte (*Meia entrada não se aplica)
3 Dias = R$ 200
6 Dias = R$ 380
Ilimitado = R$ 950
CASACOR Minas Gerais
Onde: Rua da Bahia, 2020 – Lourdes – Belo Horizonte – MG
Quando: Até 05 de outubro
Ingressos pelo site: www.casacor.com.br
Informações: https://casacor.abril.com.br/mostras/minas-gerais/